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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

PF cumpre mandados de prisão contra 10 deputados estaduais no Rio

A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira (8), mandados de prisão contra dez deputados estaduais do Rio e outras 12 pessoas em uma nova fase da Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato no estado. Entre os alvos também estão um deputado federal eleito este ano, um secretário de governo e um ex-presidente do Detran-RJ (Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro). Todos são suspeitos de participação em um esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Também são cumpridos mandados de buscas e apreensões em gabinetes da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e no Palácio Guanabara, sede do governo do estado.

Segundo as investigações, "a organização criminosa chefiada por Cabral" pagava uma propina mensal ("mensalinho") a deputados estaduais em troca de apoio. Cabral está preso desde 2016.

Dos dez deputados, sete são alvos de mandado de prisão pela primeira vez. Os outros três são Jorge Picciani, ex-presidente da Alerj, Edson Albertassi e Paulo Mello, todos do MDB e que já tinham sido presos em novembro do ano passado, na operação Cadeia Velha.

Picciani passou a cumprir prisão domiciliar por motivos de saúde em 28 demarço, após decisão foi do STF (Supremo Tribunal Federal). Já Albertassi e Mello estão presos em Bangu.

Dos outros 7 deputados alvos de prisão, 5 foram reeleitos este ano:

Andre Correa (DEM) - reeleito
Chiquinho da Mangueira (PSC) - reeleito
Marcos Vinícius Vasconcelos Ferreira (PTB) - reeleito
Luiz Martins (PDT) - reeleito
Marcos Abrahão (Avante) -reeleito
Coronel Jairo (Solidariedade) – candidato, mas não se reelegeu
Marcelo Simão (PP) – candidato, mas não se reelegeu

Entre os outros 12 mandados de prisão, encontram-se o atual presidente do Detran, Leonardo Silva Jacob, e seu antecessor Vinícius Farah, recém-eleito deputado federal pelo MDB. O secretário de Estado do governador Luiz Fernando Pezão (MDB), Affonso Monnerat, também é alvo.

Dos 22 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2-), 19 são de prisão temporária (por cinco dias) e três de prisão preventiva (sem prazo). Também são cumpridos 47 mandados de buscas e apreensões em mais de 40 endereços.

Por volta das 9h, havia a confirmação das prisões de Chiquinho da Mangueira, Correa e Monnerat.

Além da PF, a operação batizada de "Furna da Onça" conta com a participação do MPF (Ministério Público Federal) e o apoio da Receita Federal. Contribui para a investigação a delação premiada de Carlos Miranda, que disse gerenciar a propina arrecadada por Cabral.

Segundo o MPF, a operação investiga a participação de deputados estaduais do Rio em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada, principalmente no Detran do estado.

"De acordo com as investigações, o "mensalinho" [pago aos deputados] era resultado de sobrepreço de contratos estaduais e federais. De forma ilícita, os parlamentares eram beneficiados ainda com o loteamento de cargos em diversos órgãos públicos do Estado, onde poderiam alocar mão de obra comissionada ou terceirizada", diz a PF em nota.

O nome Furna da Onça faz referência a uma sala ao lado do plenário da Alerj, onde deputados se reúnem para ter conversas reservadas, destinada às combinações secretas que resultam em decisões individuais antes das votações, momento conhecido como a hora da "onça beber água".

Cadeia Velha

Iniciada em novembro de 2017, a Operação Cadeia Velha foi articulada a partir de investigações sobre crimes envolvendo empresários do setor de transporte público e deputados da Alerj.

Eles estariam envolvidos em ilegalidades como corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo representação do Ministério Público, diretores de empreiteiras como Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia, entre outras, também teriam pagado propina a deputados em troca de leis favoráveis. O esquema funcionaria desde a década de 1990.

Uol

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