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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Situação crítica em Milhã (CE): água salobra chega pelas torneiras

A prioridade dos moradores de alguns bairros de Milhã deixou de ser a busca por comida e passou a ser por água. "É isso mesmo. Nunca imaginei uma situação como essa. O que sai das torneiras aqui de casa é um lodo que chamam de água", desabafa a dona de casa Cecília da Silva, 73. Cecília diz que a água, de tão ruim e poluída, "só serve mesmo para lavar a privada e ainda deixa o vaso sanitário sujo. Se a gente colocar no balde, ele fica vermelho e não serve mais para nada". Para contornar o problema, a dona de casa utiliza uma velha geladeira como depósito para armazenar o que se convencionou chamar de água em Milhã.

Manuel Gonçalves da Silva, 82, esposo de Cecília, caiu na "tentação" de tomar um banho, pois não aguentava mais a quentura. "Estava uma semana sem me banhar. O jeito foi usar dessa água. Estou arrependido até hoje. Peguei uma coceira danada, por todo o corpo. Foi a primeira e última vez que fiz essa besteira", conta.

Uma opção de água potável na cidade é um poço profundo cavado pelo Estado. Com uma fichinha de R$ 1, é possível adquirir um galão com 20 litros. O fornecimento alternativo, entretanto, não deve durar tanto. "O poço tinha uma vazão de 2.500 l/h. Com o aumento da demanda por causa do tempo quente, não chega mais a mil. Não sei até quando vamos continuar funcionando", argumenta Wilson Bezerra, que administra o equipamento. Segundo Wilson, se não chover razoavelmente neste mês, a tendência é de que o poço seque até o fim deste ano. Muitos moradores que não têm condição de se deslocar até o local, na avenida principal de Milhã, acabam pagando mais caro. É que atravessadores pagam R$ 1 pelo galão de 20 litros e o revendem por R$ 2,50. É o caso de Francisco França da Silva Altino. "O que cobro a mais é para pagar o combustível e tirar uma parte pelo meu trabalho. Muitas vezes, a gente deixa a água bem distante", explica.

DN Online

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