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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Comunidades dependem de poços, adutoras e carros-pipa

Na quadra chuvosa deste ano não houve recarga na maioria dos açudes do Interior do Ceará. Essa situação vem se repetindo desde 2012. O quadro de escassez de água agrava-se no sertão. Centenas de localidades rurais e dezenas de cidades precisam de distribuição por carros-pipa. O sertanejo e as autoridades estão de olho no próximo inverno, que será decisivo para o alívio ou agravamento da seca.

De um total 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 82 estão com volume inferior a 10%, sendo 23 secos. Segundo dados do órgão de 31 de outubro passado, havia 45 reservatórios em volume morto. Os três maiores açudes apresentam reduzida quantidade de água: Castanhão (3,40%), Orós (7,17%) e Banabuiú (0,56%).

O Ceará tem capacidade de acumular 18,6 bilhões de m³ de água, mas o volume atual é de apenas 1,64 bilhão de m³, equivalente a 8,4%. "As nossas reservas estão dentro do estimado para o período", observou o secretário de Recursos Hídricos, Francisco Teixeira. "Foi graças ao planejamento, a gerência adequada dos açudes que conseguimos vencer todos esses anos adversos, sem recarga", acrescentou.

Abastecimento

Dezenas de centros urbanos e centenas de localidades rurais enfrentam sérios problemas de abastecimento. Boa Viagem, Pereiro, Campos Sales, Salitre, Catarina, Mombaça e Pedra Branca são exemplos de cidades que dependem de água distribuída por carros-pipa. Outras, são atendidas por adutoras: Tauá, Crateús, Quixeramobim, Nova Russas, Alcântara, Quiterianópolis, Caririaçu, Irauçuba, Miraíma.

O presidente do Sub-Comitê de Bacia do Baixo Jaguaribe, Aridiano Belk de Oliveira, disse que a cidade de Quixeré e o distrito de Lagoinha enfrentam grave crise de falta de água. "É uma situação muito crítica, caminhando para um colapso", frisou. "A água liberada pelo Castanhão para o leito do Rio Jaguaribe somente chega até Limoeiro do Norte", revelou.

Belk informou que Russas é beneficiada com água de poços profundos, mas que não é suficiente. A escassez no maior açude do Ceará reflete nos perímetros irrigados Tabuleiros de Russas e Jaguaribe Apodi. "A área de cultivo foi reduzida de seis mil hectares para 1.800 e com oferta de água para somente 900", explicou Aridiano Belk. "Há dezenas de localidades que precisam dessa água para consumo humano", completou.

O sertanejo, preocupado com a situação, mantém a esperança de um bom inverno em 2018. "Se não chover, vai ser o fim", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva.

O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, disse que, mais uma vez, o Oceano Atlântico Tropical Sul será decisivo para favorecer ou não a próxima quadra chuvosa: "Quando a temperatura superficial das águas do Atlântico Sul está mais aquecida em relação ao Atlântico Norte, influencia a aproximação da Zona de Convergência Intertropical, trazendo chuvas para o Ceará".

A Funceme somente na segunda quinzena de janeiro vai divulgar a primeira previsão para a próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio). Até lá, o órgão troca informações com outros institutos de Meteorologia e alimenta com dados climáticos os modelos estatísticos existentes.

As regiões dos Inhamuns e dos Sertões de Crateús continuam como as mais críticas de escassez de água no sertão cearense. Para essas duas áreas, já são oito anos seguidos de chuvas abaixo da média e perda das reservas hídricas na maioria dos açudes. Os reservatórios de Crateús estão secos e a salvação é a transferência de água da adutora do Açude Araras, em Varjota, que está com 9,6%.

Uso exclusivo

O Açude Trussu está com 9% e é responsável pelo abastecimento de Iguatu, o maior centro urbano da região Centro-Sul, e de Acopiara. A água é exclusiva para o uso humano. Um dos mais antigos açudes públicos do Ceará, o Lima Campos, construído em 1932, tem apenas 3,7%. O baixo volume compromete em quantidade e qualidade o abastecimento da cidade de Icó. "Se não for feita uma adutora do Açude Orós para Icó, em fins de janeiro, a situação vai se agravar ainda mais", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Lourival Teixeira. "O risco de colapso é iminente".

No médio Jaguaribe, a cidade de Jaguaribe, Solonópole, Jaguaretama e distritos como Feiticeiro, Nova Floresta e outras localidades rurais dependem das reservas hídricas do Orós, que perde volume a cada semana. "Há dezenas de famílias na própria bacia do Orós que dependem de água de carro-pipa porque poços perfurados não deram água ou ainda não foram instalados", observou o integrante do Sub-Comitê de Bacia do Alto Jaguaribe, Paulo Landim. "Estamos chegando ao limite", enfatizou.

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