terça-feira, 8 de agosto de 2017

Com monitoramento em carros do Detran, reprovação mais que triplica

Mais que triplicou a taxa de reprovação do exame de habilitação de novos motoristas após a implantação de câmeras para videomonitoramento dos testes práticos. A média, que era de 14%, subiu para 43%, de acordo com o Departamento Estadual do Trânsito (Detran-CE). O sistema vem sendo instalado nos municípios desde março. A medida, que já causava insatisfação entre servidores, passa a desagradar também candidatos. Para o órgão, falha está na má preparação dada aos alunos pelas autoescolas.

Sobral foi a primeira cidade a receber o sistema no Ceará. Em seguida, sedes regionais do Detran-CE em Morada Nova, Iguatu, Tianguá, Tauá, Crateús e Juazeiro do Norte tiveram os equipamentos. A mudança começou na Capital no último dia 28 de julho. Além das câmeras, os veículos de prova têm sensores que indicam falhas do candidato. Microfone capta o que é dito nos carros.

Contudo, para a analista de mídias sociais Raquel Duarte, 45, a mudança deveria ter sido melhor planejada antes da implantação. Ela foi reprovada no teste no último dia 3, após os sensores apontarem que ela pisou no freio segundos antes de acionar a embreagem. “Esse sistema é mais uma forma de arrecadação absurda. Quase todo mundo está refazendo o exame porque as escolas não estão adaptadas. Você é reprovado por coisas que os instrutores nunca falam nas aulas”, lamentou.

A proposta anunciada pelo Detran-CE é de que cerca de 70 automóveis com os equipamentos atendam todo o Estado. Os carros foram fornecidos pelo Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Veículos do Ceará (SINDCFCS) e os equipamentos instalados pelo Governo. A expectativa do órgão é de que 100 mil provas sejam monitoradas neste ano. O investimento é estimado em R$ 4,3 milhões.

De acordo com o departamento, a ideia é que os sensores identifiquem infrações que possam fugir aos olhos dos servidores. A eles fica a responsabilidade de avaliar o desempenho dos alunos e aceitar — ou rejeitar — as falhas apontadas pelo sistema. Desde março, quando começou a ser implantado no Estado, servidores protestaram contra a mudança. Para o Sindicato dos Trabalhadores na Área de Trânsito (Sindetran-CE), há uma terceirização dos funcionários. “Só deixaram o examinador de trânsito para validar as operações de um terceiro”, criticou Eliene Uchôa, presidente da entidade.

O POVO Online
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