segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Icó: Mobilização alerta governo para transferir mais água do açude Orós para o Lima Campos

Adutora faz captação de água no Orós para Lima Campos. Foto de Honório Barbosa
Contando com menos de 15% de sua capacidade total, o que representa 9,44 milhões de m³ de um total de 66,38 milhões de m³, de acordo com o Portal Hidrológico do Ceará, o Açude Lima Campos vem reduzindo diariamente seu volume de água acumulada e trazendo preocupação à comunidade icoense, que tem no reservatório a principal fonte de abastecimento humano.

Neste cenário de crise hídrica e com os meses de novembro e dezembro sem chuva à frente, uma comissão formada pelo presidente da Associação dos Irrigantes do Perímetro Icó-Lima Campos, Valdeci Alves; o presidente da Associação do Distrito Irrigado Icó-Lima Campos (Adicol), Francisco Canindé; e o vereador do município de Icó, Victor Luiz Monteiro, realizaram recentemente uma visita de campo ao Açude Orós, para verificar a liberação de água que vem sendo feita para o Açude Lima Campos.

A situação verificada no local e informações coletadas por eles foi de preocupação com o futuro hídrico de abastecimento do município de Icó, via Açude Lima Campos, como também de regiões próximas que recebem o aporte de água, como a região de Pedregulho, em Orós.

“A gente está querendo chamar a atenção do Governo do Estado e nos unir juntamente com a população e regiões vizinhas. Para o Icó colocaram apenas 400 litros por segundo, que não estão chegando na totalidade. Esse assunto já vem sendo levantado na Câmara Municipal, não é de hoje que vem esse debate. Desde o ano passado, nas reuniões de alocação da Cogerh estamos participando e cobrando”, destacou Victor Luiz Monteiro.

De acordo com o Portal Hidrológico do Ceará, enquanto o açude Orós, que repassa cerca de 11 mil litros por segundo para o Castanhão, registrou queda de 24,12% para 18,70%, entre 1º de janeiro deste ano e esta segunda-feira (31), o Lima Campos já baixou 1,74 metro e reduziu seu volume em quase metade, saindo de 26,89% para 13,90% na verificação mais recente, realizada no último dia de outubro.

“A gente está enfrentando toda essa dificuldade na distribuição dessa água no Perímetro Irrigado Icó-Lima Campos. A gente está dando prioridade aos animais. As culturas permanentes do Perímetro já estão praticamente de 80% a 90% perdidas. A Adicol trabalha hoje com 180 litros por segundo e não tem como fazer a distribuição para atender todo mundo”, apontou Francisco Canindé.

OBRA E TRANSFERÊNCIA DE ÁGUA – A construção de uma adutora de engate rápido Orós Lima Campos, obra contratada pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) foi a esperança para a garantia da transferência de água entre os reservatórios, de modo a garantir o volume d’água do espalho d’água icoense e prover as comunidades ribeirinhas próximas.

Orçado em R$ 353 mil, a montagem da adutora emergencial para o açude Lima Campos foi concluída, de acordo com a Cogerh, no dia 02 de setembro e após testes foi iniciado o bombeamento no dia 14 daquele mês, chegando a água no dia 16, com uma vazão estimada média de 400 litros por segundo. A obra visa a garantir o abastecimento humano das comunidades de Igarói e Guassussê, e do município de Icó, além da manutenção das culturas permanentes no perímetro Icó/Lima Campos.

Contudo, segundo observado pela comissão que visitou o Açude Orós, o prazo inicial de 45 dias teria sido extrapolado, causando atraso na chegada da água, além do uso parcial dos canos destinados à obra, 400 metros de 2 Km propostos, conforme as informações coletadas.

“A gente entrou com uma ação no Ministério Público Federal (MPF) sobre essa problemática da água, explicando os fatos, com juntada de documentação e atualizando a situação que temos hoje, com encaminhamentos e vídeos que registramos”, destacou o presidente da Associação dos Irrigantes do Perímetro Icó-Lima Campos, Valdeci Alves.

MOBILIZAÇÃO E MAIS ÁGUA – Apesar de contar com mais de um mês de transferência de água, o Açude Lima Campos vem registrando a queda de 1 cm por dia em seu volume de água. Diante do quadro de redução de volume, de mais dois meses sem perspectiva de chuvas e a incerteza do quadro chuvoso para 2017, as próximas medidas são de mobilização para aumentar a vazão do açude Orós ao açude Lima Campos.

“O nosso próximo passo é nos comunicar entre as regiões vizinhas e convocar a população de Icó, os irrigantes, para fazermos esta mobilização na questão de Lima Campos. Vamos solicitar ao prefeito de Icó, Jaime Júnior, e o secretário de Agricultura uma reunião com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH) e buscar aumentar a vazão para o Lima Campos”, enfatizou Victor Luiz Monteiro, que esteve com o presidente da Associação dos Irrigantes do Perímetro Icó-Lima Campos, Valdeci Alves, e o presidente da Associação do Distrito Irrigado Icó-Lima Campos (Adicol), Francisco Canindé, no último dia 14 no açude Orós.

A mais recente mobilização e protesto realizados sobre as águas do Lima Campos aconteceu no dia 29 de abril deste ano, na parede do Açude. Na ocasião, os manifestantes protestavam contra a entrada de centenas de caminhões pipa que coletavam água diariamente no reservatório federal, com medo de redução drástica no volume do espelho d’água.

DN Centro Sul

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